A vida será incontornavelmente erótica?
"O primeiro ornamento jamais aparecido - convém saber que foi a cruz - era de origem erótica. A primeira obra de arte, o primeiro gesto erótico através do qual o primeiro artista deu largas à sua exuberância, ao pintalgar uma parede, era erótica. Uma linha horizontal, era a mulher estendida; uma linha vertical, o homem que a penetra... Mas, aquele que na nossa época possui ainda qualquer compulsão interna que o impele a macular as paredes de símbolos eróticos, esse é um criminoso ou um degenerado... Presentemente, a ornamentação já não está organicamente ligada à civilização e já não é, por conseguinte, uma expressão da nossa civilização"
G. Néret
Será que estamos verdadeiramente desligados do erotismo? Ou será que o escamoteamos cada vez mais por necessidades sociais? Será que dançamos salsa por puro prazer ou será que é apenas uma forma de deixarmos escorrer o erotismo que ferve no nosso íntimo?
Será a vida incontornavelmente erótica?
G. Néret
Será que estamos verdadeiramente desligados do erotismo? Ou será que o escamoteamos cada vez mais por necessidades sociais? Será que dançamos salsa por puro prazer ou será que é apenas uma forma de deixarmos escorrer o erotismo que ferve no nosso íntimo?
Será a vida incontornavelmente erótica?

7 Comments:
Creio que sim.É pelo menos dessa forma que a encaro.Doutra maneira, como poderia alguém sentir tanto prazer pela vida?
Que tema escolheste tu, salsa_holic! Pois já não bastava parecermos uma tribo estranha que se desloca em massa por diversos locais para salsar, já não bastava alguns acharem que andamos neste mundo da salsa para engatar, agora vens tu com esta história do erotismo na Salsa!!! Não há condições!
Não considero a salsa erótica. Sensual sim! Quando danço sinto-me sensual mas não sinto que queira ir para a cama com aquela pessoa que está a dançar comigo. Se isso acontecer é porque com aquela pessoa há mais qualquer coisa a unir-me do que aquele momento de salsa.
Tenho muito prazer a dançar e em viver mas isso não quer dizer que estas coisas sejam eróticas.
Acho que o erotismo tem a ver com a forma como olhamos para as coisas. Um filme erótico pode sê-lo para mim e não para outra pessoa, no entanto, um filme pornográfico já não é subjectivo.
Um risco na horizontal e outro na vertical pode ser uma mulher e um homem a terem relações sexuais mas também pode ser uma data de outras coisas. A imagem dos órgãos sexuais não é erótica só por si. Isso depende dos olhos de quem vê.
Para mim a salsa não é erótica e desagradar-me-ia saber que dançam comigo com essa carga de erotismo. É que, lamento imenso, mas não me sinto atraída por todos os homens.
O meu prazer pela vida não vem só do erotismo, embora neste momento a minha vida tenha uma enorme carga erótica... mas isso tem a ver com o inicio de um novo relacionamento e tudo o que vem daí!
Qual é a barreira entre a sensualidade e o erotismo?? por vezes é muito ténue...
Na salsa já por duas ou três vezes me senti incomodada com a forma de dançar do meu parceiro, a forma de me tocar... acho que nessas alturas a barreira foi ultrapassada... e já uma vez senti desejo sexual pela pessoa com quem estava a dançar, mas não avancei... não é vulgar isto acontecer, nem pouco mais ou menos, mas aconteceu... é disto de que falas quando dizes que escamoteamos o erotismo ou simplesmente é o que nos distingue dos animais: analisar as situações e não agir por instinto...? não sei.
Se calhar sou reprimida... talvez... se tivesse ido para a cama com aquele sujeito seria promiscua? Seria concerteza criticada socialmente... E ele? provavelmente não.
Mas de uma coisa tenho a certeza absoluta, para desejar alguem sexualmente não tenho que ter quase nada em comum com essa pessoa... não é vulgar, mas já me aconteceu...
Mais do que o erotismo na salsa, levantei a questão do erotismo na vida... mas... a vida é uma salsa ;)
Sinceramente, eu não creio, ou pelo menos espero que a vida não seja incontornavelmente erótica. Mas este excerto que aqui transcrevi lembrou-me uma vez mais que muitos são os sinais ao longo dos tempos que indicam que o erotismo domina parte (ou grande parte) da nossa actividade cerebral e que este tende a ser camuflado socialmente... Até que ponto será isto verdade e até que ponto o erotismo surge na salsa?!
Será que a maioria dos salseiros encontra na salsa uma forma camuflada de dar largas ao seu erotismo?
Será que a salsa nos dá um bem estar tal que não sentimos necessidade de procurar prazer em dissimulações de erotismo?
A minha vida tem momentos eróticos mas sou eu que os crio, ou por vezes surgem espontaneamente. Nunca senti que a salsa fosse para mim um escape nesse sentido, nem nunca senti que fosse esse o sentimento geral.
Pegando num assunto já aqui debatido, também não é evidente que haja mais casos de flirts/engates/relacionamentos conseguidos/relacionamentos falhados na salsa do que no trabalho, no ginásio ou em qualquer outra situação semelhante.
Por isso, seria levado a concluir que a salsa não é incontornavelmente erótica. Mas muitos são os pensadores que afirma que a vida o é.
Estarei certo na análise que faço da salsa? Estarei certo nos sentimentos que afirmo sentir? Estaremos nós certos ao refutarmos essa hipótese? Ou será que ao salsar colocamos uma bonita máscara de nome "prazer e bem estar" por cima de um incontornável sentido erótico?
Valerá a pena olharmos cá bem para dentro na próxima vez que formos dançar? Julgo que sim. Se chegarmos à conclusão que os freqüentadores deste blog não carregam a salsa com uma dose de erotismo, poderemos extrapolar para a salsa em geral... Ou não...
O objectivo máximo de todos os seres vivos é a continuação da espécie! Reprodução. Mas com os seres humanos não é assim tão linear, pois não? Ou será que é? No fundo todos procurarmos um parceiro que seja agradável à vista e que tenha bom feitio, seja inteligente, saudável...para procriarmos... a maioria pelo menos!
Estás a querer dizer que os salseiros na sua maioria solteiros/divorciados fazem de conta que gostam de salsa, para poderem soltar os seus instintos reprodutores? Ou são perfeitamente superiores a essas questões e andam na salsa pelo prazer que esta lhes dá.
Eu acho que temos exemplares para ambas as teorias e muito mais, é essa a delicia da diversidade, não é? Na salsa e na vida!
(acham que o facto de sermos maioritariamente solteiros tem a ver com uma defesa da natureza que não quer que deixemos descendência?) ;)
Eu acho que sim A VIDA É INCONTORNAVELMENTE ERÓTICA, mas isto não quer dizer que o erotisnmos esteja presente todos os minutos do dia, pelo menos de forma declarada...
Eu mantenho a minha... usualmente, não coloco qualquer carga erótica na minha dança!
Posso fazê-lo se dançar com a pessoa que partilha outros momentos comigo. Mas mesmo aí, só em circunstâncias muito específicas, que, em princípio, não passam por uma dança em público.
Não preciso de me observar melhor quando estiver a dançar porque sei aquilo que sinto. Mas, digo mais, penso que aquilo que se passa comigo passa-se com a maior parte das pessoas da salsa. Pelo menos é o que me parece... felizmente!
Conhecem aquela coisa dos golfinhos, em que uns vêm dois golfinhos e outros vêem um casal? Penso que, para quem vê de fora, é isso que se passa com a dança. Mas quem está a dançar deve saber se é um golfinho ou não... ou não?
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